12/01/2010

A Vida Em Uma Escola Japonesa, Introdução



Nota da Tradutora: Olá, aqui é a Nany! Venho aqui trazer uma série de artigos muito interessantes que encontrei, sobre a vida em uma escola japonesa, narrada por Maiko Covington, que relatou detalhadamente como era sua vida na escola. Publicarei esta série aos poucos, pois ler tudo de uma vez é meio maçante (mesmo que eu tenha lido tudo de uma vez xD). A narração é em primeira pessoa e algumas informações que ela passa podem nos ser meio óbvias, pois Maiko é americana e algumas coisas parecem realmente extraordinárias nos E.U.A. No começo, ela explica o porquê de estar escrevendo os artigos, deixei ali porque é bom entender os motivos dela para escrever isso. Daqui para baixo, a narração é da Maiko, eu posso fazer intervenção por meio de N.T. em meio ao texto. Espero que gostem! ^^

Introdução
Quinta-feira, 6 de Março de 1991.

Olá, pessoal! Eu decidi escrever um pouco sobre como é a vida em uma escola japonesa é, por dentro. Para as pessoas lendo no rec.arts.anime (N.T.: Um dos sites onde foi publicado esta série de artigos), eu reconheço que o assunto não tem muito a ver com animes, mas, já que muitos animes têm estudantes colegiais como personagens e mostram cenas de vida escolar, eu concluí que provavelmente vocês irão gostar disso. Estejam avisados que não tenho conhecimento em Sociologia ou algo assim - estou apenas escrevendo sobre minhas próprias experiências.

Talvez a maior diferença entre escolas de Ensino Médio (N.T.: Lembrando que nesses países, ao contrário da maioria das escolas aqui do Brasil, as escolas de Ensino Fundamental são separadas das escolas de Ensino Médio) é que, enquanto nas escolas dos E.U.A. os estudantes mudam de sala, no Japão você fica em uma sala durante o dia inteiro e os professores mudam de sala para sala. Então, você fica com as mesmas pessoas durante todo o dia. As pessoas da sua sala formam uma espécie de grupo e você pode ficar realmente próximo deles. É claro, se você não gostar dos seus colegas de classe, você está preso, sua classe terá as mesmas pessoas durante 3 anos.

Todo mundo na minha sala tinha um certo apelido para ser usado apenas pelos seus colegas de classe. Eu era a Mai-chan (meio comum). Alguns apelidos que nossa sala tinha era “Mossan” (Kuramoti Keiko), “Yuasa-si” (Yuasa Reiko) e, talvez o mais estranho, “Demo-sa”. Essa garota, chamada Miyuki, sempre se intrometia nas conversas alheias com “demosa, demosaa...” (N.T.: “Demosa” quer dizer “mas” em japonês) então começaram a chamá-la de Demo-sa. Aparentemente, ela não se sentia ofendida com isso.

De todo modo... Como você não muda de sala, você deixa seus livros embaixo da carteira. As carteiras geralmente são uma mesa separada e uma cadeira, e a mesa tem um buraco para se colocar os livros. Há armários do fundo da sala, mas eles não tem trancas. É onde você deixa seus objetos pessoais.

O mapa da sala era sempre um grande evento, pois todos queriam se sentar perto dos melhores amigos. (N.T.: “Seating chart” não se refere exatamente a um mapa, mas aos lugares que os professores escolhem para os alunos. Na minha antiga escola chamavam de “mapa da sala”, por isso traduzi para este termo, embora, na minha escola, fosse realmente um mapa.) Na minha escola, nos deveríamos trocar de lugar todos os meses, nos fazíamos isso sorteando números de uma caixa ou outros método que ninguém pudesse dizer que era injusto. Era realmente uma grande coisa, claro - o presidente de classe deveria comandar isso e tudo mais.

Acho que eu deveria explicar como as classes são divididas e tudo mais. Existem três séries do Ginásio e três do Ensino Médio. Cada série é dividida em turmas de 45 a 50 pessoas, baseando-se na sua capacidade e em que matérias você estava cursando. A maioria das matérias não é escolhida por você, mas há algumas escolhas como cursar História do Japão ou História Mundial. Então, eles tentavam manter pessoas que fizeram a mesma escolha na mesma sala, para facilitar o sistema que descrevi antes.

Cada série tem representantes no conselho estudantil, e cada classe tem seus representantes também. Isso foi a última coisa que mencionei quando falei do mapa da sala. Alguns dos representantes mudam todo ano, outros mudam a cada trimestre (a maioria das escolas está no “sangakkisei” (N.T.: Não me perguntem.)). Cada classe tem um número, que é o número da série, seguido de um número ou letra para distinguir as turmas.

No ginásio, nos usamos letras (como 3-A) e no Ensino Médio nos usamos números (como 2-1). São lidos como “san nen A kumi” e “ni nen ichi kumi”, respectivamente. Cada pessoa na sala tinha o “syusseki bangou” ou “número de chamada”, que era feita em ordem alfabética de sobrenomes. Eu sempre estava no final, porque meu último nome é escrito em katakana (N.T.: Escrita japonesa baseada em fonemas, usada para escrever nomes estrangeiros) e eles achavam que deveria vir depois de todos os kanji. Sempre pensei que isso era um pouco rude. Eu era o número 3145 (san nem ichi kumi 45 ban [N.T.: acho que seria san nen ichi kumi yonjuu go ban para ser pronunciado).

Todas as escolas públicas do Japão têm uniformes, acho. Há muitas variações, mas o básico é: para garotos, era comumente calças pretas e casaco com um botão dourado na parte da frente e uma camiseta branca por dentro, e as vezes era algo parecido com um terno. Para garotas, era uma saia azul escura ou cinza, com uma blusa de “marinheiro” (N.T.: muitos uniformes japoneses parecem-se com uniformes de marinheiro, vide Card Captors Sakura, Sailor Moon, Lucky Star...) ou uma blusa branca. Os detalhes variavam de escola para escola, então você pode dizer em que escola as pessoas que você vê pela cidade estudam.

Claro, as pessoas sempre tentam alterar seus uniformes. Dependendo das pessoas com quem você sai, era legal ter uma blusa bem longa ou bem curta. Para os garotos valentões (ou os garotos que pensavam ser) o que estava “por dentro” era ter suas calças de uniforme pretas beeem grandes, uma jaqueta longa com o colarinho bem alto (ou pelo menos na minha área, de todo modo). Coisas que as pessoas também gostam de fazer é usar meias fofas com estampas ao invés das brancas, usar blusas brancas com um padrão diferente do padrão da escola, usar tênis legais, etc, etc.

As pessoas também mudavam o penteado de jeitos que você não deveria fazer; eles usavam laços de cabelo brilhantes, e colocavam todos os tipos de chaveiro na mochila. As garotas mais arrojadas pintavam os cabelos, ou faziam permanente. Eu devo dizer que nunca precisei fazer permanente do meu cabelo, porque minhas ondas eram naturais, há há. Uma garota da minha sala foi forçada a ir ao cabeleireiro e pintar o cabelo novamente de preto após pintar de castanho-avermelhado. Algumas pessoas também faziam experiências com maquiagem.

De nenhum modo Ranma (N.T.: Um personagem de um anime/manga de mesmo nome) poderia usar aquelas roupas de artes marciais se ele fosse a uma escola normal! Eles iriam cortar a cabeça dele no escritório principal (eles fizeram isso no episódio 2, não?).

Eu preciso ir agora. Escreverei depois se realmente alguém quiser saber mais. Desculpe por ocupar tanto espaço.

Escrito por Maiko Covington (mcovingt@staff.uiuc.edu), publicado no Manga Tutorials (http://www.mangatutorials.com/tut/jschool1.php)
Traduzido por Nany para o Pontokon Keshi.
Revisado por Gabi.
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Notas Finais: Digam-me se gostaram da postagem que eu posto mais dos artigos da Maiko!

Kissu:*

5 コメント:

Eduarda disse...

Adorei a postagem!!

Até que a escola japonesa não é assim tão diferente da minha escola...

Myio-chan disse...

Adorei a postagem Nany!Boa criatividade escrever sobre isso!

Kisu~~

xkgen2 disse...

Gostei de saber como é, eu sofro um problema complicado, eu sou brasileiro e puxo muito o japão, então o problema que os brasileiros tem para se adaptar ao japão acontece ao contrario comigo, eu não me adapto ao ensino brasileiro, mesmo sendo uma droga, mas com o ensino japonês me adapto facilmente.

Anônimo disse...

amei eu pensava que era rigida

Rafael A. disse...

realmente muito legal sua maneira de contar alem de ser entereçante e muito divertido kk gostaria q tive-se uma parte 2 rsrs

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